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Trecho: A Conquista




Holaaaaaaaaaaaaaaaaaaa lindos
O 4 e último livro da Série " Amores Improváveis " (aquela tristeza batendo) intitulado como " A CONQUISTA" protagonizados por Tucker e Sabrina, está quase chegando nas livrarias YEEEEEEEH !

E a Editora Paralela me enviou o primeiro capitulo dessa nova história, e resolvi dividir para aqueles que estão tão ansiosos como eu para ver o que nos aguarda nesse último livro com nossos queridos jogadores hóquei.




















A Conquista
Série Amores Improváveis
Elle Kennedy

Editora Paralela
336 paginas




















Confiram o PRIMEIRO capitulo de A CONQUISTA:



“Merda. Merda. Merda. Meeeeeerda. Cadê minha chave?”
O relógio no corredor estreito me avisa que tenho cinquenta e dois minutos para fazer uma viagem de sessenta e oito, se quiser chegar à festa na hora.
Procuro na bolsa de novo, mas a chave não está lá. Onde mais poderia estar? Na cômoda? Não. No banheiro? Acabei de olhar. Na cozinha? Talvez…
Estou prestes a virar na direção da cozinha, quando ouço um tilintar de metal atrás de mim.
“Tá procurando isso aqui?”

Sinto o desprezo dando um nó na minha garganta ao entrar na sala de estar minúscula, com os cinco móveis velhos espremidos feito sardinhas em lata — duas mesas, um sofá de dois lugares e um de três, e uma poltrona. A montanha de sebo sentada no sofá balança meu chaveiro no ar. Diante do meu suspiro de irritação, ele sorri e senta em cima da chave com a bunda coberta por uma calça de moletom.
“Vem pegar.”

Frustrada, jogo o cabelo que acabei de alisar para trás do ombro e caminho a passos largos na direção do meu padrasto. “Me dá minha chave”, exijo.
Ray responde com um olhar lascivo. “Uau, tá gostosa hoje, hein? Até que você encorpou bem, Rina. A gente podia se divertir, eu e você.”
Ignoro a mão inchada que desliza até sua virilha. Nunca conheci homem nenhum tão desesperado para se tocar. Perto dele, Homer Simpson é um cavalheiro.
“Você e eu não existimos um pro outro. Para de olhar pra mim e
não me chama de Rina.” Ray é a única pessoa que me chama assim, e odeio isso. “Agora me dá a chave.”
“Já falei, vem pegar.”
Com os dentes cerrados, enfio a mão sob a bunda dele e procuro a chave. Ray grunhe e se contorce feito o babaca repugnante que é, até que minha mão encontra o metal.
Recupero a chave e viro na direção da porta.
“Qual o problema?”, ele zomba para as minhas costas. “A gente nem é parente, não tem esse negócio de incesto.”
Gasto trinta segundos do meu precioso tempo para encará-lo, estarrecida. “Você é meu padrasto. Você casou com a minha mãe. E…”, engulo a bile, “… e agora tá dormindo com a minha avó. Então, não, não basta a gente não ser parente. Você é a pessoa mais nojenta do mundo e devia estar preso.”
Uma sombra cobre seus olhos castanhos. “Cuidado com a língua, mocinha, ou um dia vai acabar chegando em casa e encontrando a fechadura trocada.”
Até parece. “Pago um terço do aluguel aqui”, lembro a ele.
“Bem, talvez devesse pagar mais.”
Ele volta a atenção para a televisão, e gasto outros trinta segundos valiosos imaginando como seria golpear sua cabeça com a minha bolsa. Vale a pena.
Na cozinha, vovó está sentada à mesa, fumando um cigarro e lendo um exemplar da revista
People. “Viu isso?”, exclama. “Kim Kardashian apareceu pelada de novo.”
“Que bom pra ela.” Pego meu casaco do encosto da cadeira e sigo para a porta da cozinha.
Descobri que é mais seguro sair de casa pelos fundos. Aqui nesta parte da zona sul de Boston, que pode ser chamada de qualquer coisa menos de rica, sempre tem uns trombadinhas nos degraus da frente das casas geminadas. Além do mais, nossa garagem fica atrás da casa.
“Ouvi que Rachel Berkovich pegou barriga”, comenta ela. “Devia ter abortado, mas acho que é contra a religião dela.”
Cerro os dentes de novo e me viro para encarar minha avó. Como de costume, ela está usando um roupão surrado e pantufas cor-de-rosa atoalhadas, mas está toda maquiada e com um penteado perfeito no cabelo louro tingido, embora quase nunca saia de casa.
“Ela é judia, vó. Acho que aborto não é contra a religião dela, mas, mesmo que fosse, a escolha é dela.”
“No mínimo quer receber pensão”, conclui vovó, soprando uma baforada comprida de fumaça na minha direção. Merda. Espero não chegar em Hastings cheirando a cinzeiro.
“Não acho que é por isso que a Rachel vai ficar com o bebê.” Com uma das mãos na porta, me mexo, agitada, esperando uma oportunidade para dizer tchau.
“Sua mãe pensou em abortar você.”
E pronto, aí está a minha deixa. “Tá legal, já chega”, murmuro. “Tô indo pra Hastings. Volto hoje ainda.”
Ela ergue o rosto da revista num sobressalto e estreita os olhos ao notar minha saia preta de tricô, o suéter preto de manga curta e gola redonda e os sapatos de salto alto. Vejo as palavras se formando em sua mente antes mesmo de saírem da boca.
“Tá toda metida, hein?! Indo praquela faculdade besta, é? Agora você tem aula sábado à noite?”
“É um coquetel”, respondo, de má vontade.
“Uhhh, coquetel, olha só. Não vai cansar esses dedinhos de tanto puxar saco, viu?”
“Tá bom, vó, obrigada pela dica.” Abro a porta dos fundos com um movimento brusco e me forço a acrescentar: “Te amo”.
“Também te amo, querida.”
Ela me ama, mas às vezes esse amor é tão contaminado que não sei se está me machucando ou me ajudando.
Minha viagem até a pequena cidade de Hastings não leva cinquenta e dois minutos
nem sessenta e oito. As estradas estão tão ruins que acabo gastando uma hora e meia dirigindo. Perco mais uns cinco minutos procurando vaga e, quando chego à casa da professora Gibson, estou mais tensa que uma corda de piano — e me sentindo tão frágil quanto.
“Oi, sr. Gibson. Mil desculpas pelo atraso”, digo ao homem de óculos na porta.
O marido da minha orientadora me abre um sorriso gentil. “Não se preocupe, Sabrina. O tempo está horrível. Deixe eu pegar seu casaco.” Ele estende a mão e espera com paciência enquanto tento me desvencilhar do casaco de lã.
A professora Gibson chega no momento em que seu marido está pendurando meu casaco barato entre outros caríssimos no armário do corredor. A peça de roupa parece tão fora de lugar quanto eu. Afasto a sensação de desconforto e abro um sorriso animado.
“Sabrina!”, exclama Gibson alegremente. Sua presença dominante chama minha atenção. “Que bom te ver inteira. Está nevando ainda?”
“Não, só chovendo.”
Ela faz uma careta e pega meu braço. “Pior ainda. Espero que não esteja pensando em voltar pra Boston hoje. As estradas vão estar gelo puro.”
Como tenho que trabalhar de manhã, vou fazer a viagem independentemente das condições da estrada, mas não quero que minha professora se preocupe, então abro um sorriso tranquilizador. “Não se preocupe comigo. Ela ainda está aqui?”
Gibson aperta meu antebraço. “Sim, e está doida pra te conhecer.”
Ótimo. Inspiro fundo pela primeira vez desde que cheguei e me deixo ser levada pela sala em direção a uma mulher baixa, de cabelos grisalhos, vestindo um blazer em tom pastel e calça preta. A roupa é bem sem graça, mas os diamantes brilhando em suas orelhas são maiores do que meu polegar. E sabe o que mais? Ela parece gentil demais para uma professora de direito. Sempre achei que elas eram criaturas sérias e batalhadoras. Como eu.
“Amelia, queria te apresentar Sabrina James. É a aluna de quem falei. Primeiro lugar da turma, tem dois empregos e tirou setenta e sete na prova de admissão para a faculdade de direito.” A professora Gibson se vira para mim. “Sabrina, Amelia Fromm, especialista em direito constitucional.”
“Estou muito feliz de conhecer você”, digo, estendendo a mão e pedindo a Deus para que não esteja úmida. Pratiquei apertar minha própria mão por uma hora antes deste momento.
Amelia segura minha mão de leve antes de dar um passo para trás. “Mãe italiana, avô judeu, daí a estranha combinação de nomes. James é um nome escocês… Sua família é da Escócia?” Seus olhos brilhantes me analisam, e resisto à tentação de brincar com a etiqueta da minha roupa barata para me distrair.
“Não sei dizer, senhora.” Minha família veio da sarjeta. A Escócia soa como um lugar agradável e nobre demais para ter produzido uma família como a minha.
Ela dispensa o assunto com um gesto da mão. “Não importa. Genealogia é meu passatempo. Então, você se candidatou para Harvard? Foi o que Kelly me contou.”
Kelly? Conheço alguma Kelly?
“Ela está falando de mim, querida”, esclarece Gibson com uma risada gentil.
Sinto o rosto corar. “Claro, desculpe. Penso em você como professora.”
“Tão formal, Kelly!”, acusa a professora Fromm. “Sabrina, para onde mais você se inscreveu?”
“Boston College, Suffolk e Yale, mas Harvard é o meu sonho.”
Amelia ergue uma sobrancelha diante da minha lista de faculdades locais, duas delas inclusive não tão bem avaliadas.
A professora Gibson corre em minha defesa. “Ela quer ficar perto de casa. E obviamente merece ir para algum lugar melhor do que Yale.”
As duas professoras trocam um risinho de desdém. Gibson se formou em Harvard e, ao que parece, qualquer um que passa por Harvard é um eterno rival de Yale.
“Pelo que Kelly tem comentado, parece que Harvard deveria agradecer por ter você como aluna.”
“Seria uma honra estudar em Harvard, professora.”
“As cartas de aceitação vão ser enviadas em breve.” Seus olhos brilham com malícia. “Vou me assegurar de falar bem de você.”
Amelia abre outro sorriso, e quase desmaio num surto feliz de alívio. Não estava falando da boca para fora. Harvard é mesmo o meu sonho.
“Obrigada”, é tudo o que consigo dizer.
A professora Gibson aponta na direção da mesa. “Por que não come alguma coisa? Amelia, queria falar com você sobre aquele artigo de opinião que parece que a Brown vai publicar. Você chegou a dar uma olhada nele?”
As duas se afastam, mergulhando numa discussão profunda sobre a interseccionalidade do feminismo negro e a teoria de raça, tema no qual a professora Gibson é especialista.
Caminho até a mesa das comidas, que está decorada com uma toalha branca e cheia de queijos, biscoitos e frutas. Duas das minhas amigas mais chegadas — Hope Matthews e Carin Thompson — já estão lá. Uma morena e a outra mais clara, as duas são os anjos mais bonitos e inteligentes do mundo.
Corro até elas e quase me jogo em seus braços.
“E aí? Como foi?”, pergunta Hope, ansiosa.
“Tudo bem, acho. Ela falou que achava que Harvard deveria agradecer por ter a mim como aluna, e que a primeira leva de cartas de aceitação vai ser enviada em breve.”
Pego um prato e começo a me servir, desejando que os pedaços de queijo fossem maiores. Estou com tanta fome que poderia comer uma peça inteira. Passei o dia louca de ansiedade por causa dessa reunião, e, agora que acabou, quero cair de cara na mesa de comida.
“Ah, tá no papo”, declara Carin.
Nós três somos orientandas da professora Gibson, que é uma grande partidária de ajudar mulheres jovens. Existem outras organizações no campus voltadas para a formação de contatos profissionais, mas a influência dela é orientada exclusivamente para o avanço das mulheres, e não tenho palavras para agradecer o apoio.
O coquetel de hoje foi pensado para que suas alunas pudessem conhecer alguns membros do corpo docente dos programas de pós-graduação mais competitivos do país. Hope está batalhando por uma vaga na faculdade de medicina de Harvard, e Carin vai para o mit.
É isso aí, a casa da professora Gibson parece um mar de estrogênio. Tirando o marido dela, só tem mais outros dois homens aqui. Vou sentir saudade deste lugar quando me formar. Tem sido como uma segunda casa para mim.
“Estou cruzando os dedos”, digo, em resposta a Carin. “Se não entrar em Harvard, então vou pra Boston ou Suffolk.” O que seria bom, mas Harvard praticamente iria me garantir o trabalho que quero depois de me formar — um emprego num dos principais escritórios de advocacia do país, ou o que todo mundo chama de Big Law.
“Você vai entrar”, diz Hope, confiante. “E espero que pare de se matar quando receber essa carta de aceitação, porque, caramba, amiga, você tá tensa.”
Giro a cabeça no pescoço mecanicamente. É,
estou tensa. “Eu sei. Minha rotina tá me matando. Fui pra cama às duas da manhã, porque a garota que ia fechar o Boots & Chutes foi embora mais cedo e me deixou sozinha, aí acordei às quatro por causa do expediente no correio. Cheguei em casa lá pelo meio-dia, caí na cama e quase perdi a hora.”
“Você ainda tá nos dois empregos?” Carin afasta os cabelos ruivos do rosto. “Achei que ia largar o trabalho de garçonete.”
“Ainda não posso. A professora Gibson disse que eles não querem que a gente trabalhe no primeiro ano do curso de direito. Só vou conseguir dar conta se já tiver economizado o suficiente pra comida e aluguel antes de setembro.”
Carin faz um barulhinho de compreensão. “Sei como é. Meus pais fizeram um empréstimo tão grande que daria pra fundar um pequeno país com o dinheiro.”
“Queria que você morasse com a gente”, resmunga Hope.
“Sério? Não tinha percebido”, brinco. “Você só disse isso duas vezes por dia desde que o semestre começou.”
Ela franze o nariz perfeito. “Você ia
amar o lugar que meu pai alugou pra gente. Tem um janelão que vai do chão ao teto e fica do lado do metrô. Transporte público.” Ela eleva as sobrancelhas, tentando me seduzir.
“É muito caro, H.”
“Você sabe que eu cobriria a diferença — quer dizer, meus pais cobririam”, ela se corrige. A família da menina tem mais dinheiro do que um magnata do petróleo, mas ninguém jamais adivinharia. Hope é a pessoa mais pé no chão que conheço.
“Eu sei”, respondo, engolindo mordidas de minissalsichas. “Mas eu ficaria me sentindo culpada. Depois, a culpa ia virar ressentimento, que ia acabar azedando a amizade, e não ser sua amiga ia ser um saco.”
Ela sacode a cabeça para mim. “Se, em algum momento, seu orgulho permitir que você peça ajuda, estou aqui.”
Nós estamos aqui”, interrompe Carin.
“Tá vendo?” Balanço o garfo de uma para a outra. “É por isso que não posso morar com vocês. São importantes demais pra mim. Além do mais, tá dando tudo certo. Tenho quase dez meses pra economizar antes de as aulas começarem no outono que vem. Eu dou conta.”
“Pelo menos vem tomar um drinque com a gente depois do coquetel”, implora Carin.
“Tenho que ir pra casa.” Faço uma careta. “Entro cedo no correio amanhã.”
“No domingo?”, exclama Hope.
“Hora extra. Não tinha como recusar. Na verdade, acho que já tá na minha hora.” Pouso o prato na mesa e tento ver o que está acontecendo do outro lado da enorme janela. Tudo o que enxergo é escuridão e filetes de chuva escorrendo pelo vidro. “Quanto antes pegar a estrada, melhor.”
“Não com este tempo.” A professora Gibson aparece junto ao meu cotovelo com uma taça de vinho na mão. “A previsão é de gelo na estrada — a temperatura caiu, e a chuva está congelando.”
Basta uma conferida no rosto da minha orientadora e sei que tenho que ceder. E é o que faço, mas com muita relutância.
“Tudo bem”, digo, “mas faço isso sob protesto. E você…”, aponto o garfo na direção de Carin, “… é melhor ter sorvete no freezer, pro caso de eu ter que dormir na sua casa, senão vou ficar muito brava.”
As três riem. A professora Gibson se afasta, deixando-nos à vontade para socializar como só três universitárias do último sabem fazer. Depois de uma hora de festa, Hope, Carin e eu pegamos nossos casacos.
“Pra onde a gente vai?”, pergunto às meninas.
“O D’Andre tá no Malone’s, falei que ia encontrar com ele lá”, diz Hope. “Fica a dois minutos daqui, a gente não deve ter problema pra chegar.”
“Sério? No Malone’s? Aquilo é um bar de hóquei”, reclamo. “O que o D’Andre tá fazendo lá?”
“Bebendo e me esperando. Falando nisso, você precisa pegar alguém, e atletas são seu tipo favorito.”
Carin bufa. “Seu único tipo.”
“Ei, tenho uma boa razão pra preferir atletas”, argumento.
“Eu sei. Já ouvimos antes.” Ela revira os olhos. “Se você estiver atrás de uma resposta sobre estatística, procure um nerd da matemática. Se quiser satisfazer uma necessidade física, procure um atleta. O corpo é a ferramenta do atleta de elite. Eles cuidam bem dele, sabem como forçar seus limites, blá-blá-blá.” Carin abre e fecha a mão esquerda para mim, me chamando de tagarela.
Mostro o dedo do meio pra ela.
“Mas sexo com alguém que você gosta é muito melhor.” O comentário vem de Hope, que namora D’Andre, do time de futebol americano, desde o primeiro ano de faculdade.
“Eu gosto de atletas”, protesto, “… durante os mais ou menos sessenta minutos em que estou usando o corpinho deles.”
Trocamos uma risadinha, até que Carin lembra de um cara que fez essa média despencar.
“Lembra do Greg Dez Segundos?”
Estremeço. “Em primeiro lugar, muito obrigada por não me deixar esquecer disso; em segundo, não tô dizendo que você nunca vai encontrar uns pangarés por aí. Só que o risco é menor com um atleta.”
“E jogadores de hóquei são pangarés?”, pergunta Carin.
Dou de ombros. “Não sei. Não descartei o time de hóquei da minha lista por causa do desempenho deles na cama, mas porque são uns babacas privilegiados que recebem favorezinhos dos professores.”
“Sabrina, amiga, você tem que esquecer isso”, implora Hope.
“Não. Tô fora de jogador de hóquei.”
“Nossa, pensa só no que você tá perdendo.” Carin lambe os lábios com lascívia exagerada. “E o cara do time que usa barba? Nunca peguei ninguém de barba, mas tá na minha lista.”
“Vai em frente, então. Meu boicote ao time de hóquei significa que sobra mais pra você.”
“Dessa parte eu gostei, mas…” Ela sorri. “Preciso te lembrar que você transou com o Di Laurentis, o maior pegador da universidade?”
Eca. Essa é uma memória que
nunca preciso desenterrar.
“Primeiro, eu estava completamente bêbada”, resmungo. “Segundo, isso foi no segundo ano. E terceiro, ele é a razão pela qual jurei nunca mais sair com jogadores de hóquei.”
Embora a Briar tenha um time de futebol americano cheio de títulos, ela é famosa por ser uma universidade do hóquei. Os caras que usam patins são tratados como deuses. Dean Heyward-Di Laurentis, por exemplo. Como eu, ele é aluno de ciência política, o curso preparatório para a faculdade de direito, então já fizemos várias aulas juntos, inclusive estatística, no segundo ano. É uma matéria difícil pra cacete. Todo mundo penou.
Todo mundo menos Dean, que estava comendo a professora assistente.
E — surpresa! — ele tirou um dez que absolutamente
não merecia. Sei disso porque fiz dupla com ele no projeto final e vi a porcaria de trabalho que ele entregou.
Quando descobri que Dean gabaritou, tive vontade de decepar o pau dele. Foi tão injusto. Trabalhei duro naquela matéria. Droga, dou duro em tudo. Tudo que conquisto é à custa de sangue, suor e lágrimas. Enquanto isso, um babaca recebe o mundo todo de bandeja? De jeito nenhum.
“Ela tá ficando brava de novo”, Hope sussurra para Carin.
“Tá pensando em como Di Laurentis tirou dez naquela matéria”, Carin finge cochichar de volta. “Nossa amiga tá precisando muito pegar alguém. Faz quanto tempo?”
Começo a mostrar o dedo do meio para ela de novo quando me dou conta de que não lembro a última vez que peguei alguém.
“Teve o… Como era mesmo o nome? Meyer? O cara do time de lacrosse. Isso foi em setembro. E depois teve o Beau…” Fico animada. “Rá! Tá vendo? Faz só um pouco mais de um mês. Não sou um caso perdido.”
“Amiga, alguém com a sua rotina não pode passar
um mês sem sexo”, contrapõe Hope. “Você é uma pilha de nervos ambulante, o que significa que precisa de uma boa transa, pelo menos… uma vez por dia”, decide ela.
“Dia sim, dia não”, intervém Carin. “Dá uma folga pro parque de diversões dela.”
Hope concorda com a cabeça. “Tá bom. Mas nada de folga hoje…”
Solto uma gargalhada.
“Ouviu isso, Sá? Você já comeu, dormiu à tarde e agora precisa de um pouco de diversão”, declara Carin.
“Mas no Malone’s?”, retruco, incerta. “A gente acabou de concordar que o lugar vive cheio de jogador de hóquei.”
“Não é só gente do hóquei. Aposto que o Beau tá lá. Quer que eu pergunte pro D’Andre?” Hope ergue o celular, mas nego com a cabeça.
“Beau toma muito tempo. O tipo de cara que quer conversar no meio do sexo. O negócio comigo é fazer o que interessa e partir pra outra.”
“Uau, conversar! Que perigo.”
“Ah, cala a boca.”
“Vem calar.” Hope vira a cabeça para sair da casa da professora Gibson, e suas longas tranças roçam o meu casaco.
Carin dá de ombros e segue a amiga, e, depois de um segundo de hesitação, vou atrás. Quando chegamos ao carro de Hope, nossos casacos estão encharcados, mas, como estamos de capuz, os penteados sobrevivem ao aguaceiro.
Não estou com a menor vontade de paquerar ninguém hoje, mas tenho que dar o braço a torcer. Faz semanas que estou tensa, e, nos últimos dias, tenho sentido um… formigamento. E é do tipo que só pode ser aliviado por um corpo forte, musculoso e, de preferência, mais bem-dotado que a média.
Só que sou extremamente seletiva com potenciais ficantes e, como temia, quando entramos no Malone’s cinco minutos depois, o lugar está abarrotado de jogadores de hóquei.
Mas tudo bem. Se essas são as únicas cartas que tenho à mão, acho que não custa nada jogar e ver o que acontece.
Ainda assim, sigo minhas amigas em direção ao balcão do bar com zero expectativas.

📖 💕

Ansiedade triplicou não é mesmo ?
Se você ainda não leu os outros livros, corram que ainda da tempo.

A Conquista chega nas livrarias de todo o Brasil no dia 26 de maio.
E para quem quiser, o livro já está em pré-venda:


Um comentário:

  1. Que bom! Os livros dessa autora são ótimos!!

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